Eu acompanho nesta terça-feira, 17 de junho de 2026, um novo movimento urbano na Zona Noroeste de Santos. A Prefeitura detalhou a recuperação de uma antiga área degradada no Santa Maria.
O foco é a chamada Base 8 do Parque dos Mangues. O espaço fica na Rua Pastor João Wesley e deve entrar em operação a partir de setembro.
Na prática, o projeto mira um passivo antigo: descarte irregular de entulho, estacionamento indevido de caminhões e degradação ambiental em uma área estratégica do bairro.
O que aconteceu e por que a obra ganhou peso agora
Segundo anúncio municipal publicado na tarde de 16 de junho, a área da CPFL está em intervenção para recuperação ambiental e requalificação paisagística.
A gestão informou que a ação ocorre com atuação da CPFL e apoio técnico da Secretaria das Prefeituras Regionais. A primeira etapa deve terminar na primeira quinzena de setembro.
O projeto foi apresentado como ampliação do Parque dos Mangues, iniciativa espalhada por diferentes bases na Zona Noroeste e voltada à conexão entre urbanismo, meio ambiente e uso comunitário.
O texto oficial descreve a transformação de uma antiga área de descarte em novo espaço de convivência, com recuperação ecológica e valorização paisagística.
- Local: Rua Pastor João Wesley, Santa Maria
- Projeto: Base 8 do Parque dos Mangues
- Prazo informado: primeira etapa até a primeira quinzena de setembro
- Uso previsto: caminhada, contemplação e convivência

Como será feita a recuperação da área
Um dos pontos centrais é a técnica escolhida. Em vez de retirar integralmente os resíduos existentes, o plano adota estabilização e confinamento controlado do material.
Na avaliação da Prefeitura, essa solução reduz impactos que viriam com a remoção total, como tráfego intenso de caminhões, mais emissões e sobrecarga no sistema viário local.
Os serviços incluem estabilização geotécnica do terreno, conformação de taludes, revegetação e implantação de cobertura vegetal permanente.
O município também afirmou que já é possível ver taludes gramados substituindo superfícies degradadas, em um processo que busca conter erosão, reduzir poeira e melhorar a integração visual.
Esse modelo conversa com regras nacionais para resíduos da construção civil e recuperação de áreas degradadas, tema previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos.
- Menos circulação de caminhões no entorno
- Redução de poeira e processos erosivos
- Requalificação visual da paisagem
- Recuperação ambiental com uso social futuro
O que pode mudar para os moradores da Zona Noroeste
Se o cronograma for mantido, a nova base deve ampliar o alcance prático do Parque dos Mangues em uma área que por anos acumulou sinais de abandono.
O projeto prevê calçadas mais largas, pista de caminhada, áreas contemplativas e espaços de convivência, respeitando restrições da faixa de servidão da linha de transmissão.
Em fase futura, a área poderá receber árvores frutíferas nativas, viveiros de mudas, hortas comunitárias e ações de educação ambiental.
Para a região, isso pode significar um ganho duplo. De um lado, reduz-se um ponto de degradação; de outro, abre-se um novo espaço de uso cotidiano pela comunidade.
Na minha leitura, esse é o ponto mais relevante: o projeto tenta converter um terreno problemático em ativo urbano, ambiental e social, algo raro quando se fala da borda estuarina.
Fiscalização, cronograma e o mapa das oito bases
Durante os trabalhos, equipes encontraram bovinos de grande porte mantidos irregularmente no local. O proprietário foi localizado e orientado, segundo a Prefeitura.
O aviso oficial acrescenta que, em caso de reincidência, os animais poderão ser apreendidos conforme os procedimentos legais vigentes.
Hoje, o Parque dos Mangues reúne bases em funcionamento, trechos em estudo e a futura entrada da Base 8 no circuito a partir de setembro.
- Ecofábrica, no Chico de Paula
- Praça Verde, em Santa Maria
- Parque Trilha, em análise técnica
- Bosque Santa Maria, em funcionamento
- Conviverde, em funcionamento
- Ecomangue, em análise técnica
- Prainha, também em análise
- Área da CPFL, com abertura prevista a partir de setembro
A própria agenda recente da Prefeitura mostra que a frente ambiental virou prioridade local, com novas ações em sustentabilidade, obras de bairro e requalificação urbana concentradas nesta semana.
Por que essa notícia importa além do bairro Santa Maria
Santos costuma aparecer no noticiário por porto, turismo, eventos e trânsito. Mas intervenções silenciosas em bairros periféricos costumam ter efeito mais duradouro no cotidiano do morador.
Uma área degradada produz custos indiretos: insegurança, descarte irregular, pressão sobre vias, piora visual e perda de uso público.
Quando a gestão consegue reverter esse ciclo, mesmo em escala local, o impacto vai além da obra. Ele alcança saúde urbana, percepção de cuidado e valorização do entorno.
Eu vejo essa obra como um teste importante para Santos em 2026. Se a Base 8 sair do papel no prazo e for mantida, a cidade ganha um caso concreto de regeneração urbana.
Se houver continuidade, a Zona Noroeste pode consolidar um corredor ambiental e comunitário mais robusto. E isso, para o morador, vale mais do que anúncio genérico.
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